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A violência da natureza

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 29.08.07

Nunca como em Tennessee Williams e Suddenly, Last Summer, percebemos e sentimos a violência da natureza, e mesmo da natureza humana, que acompanha a violência da natureza.

Aquele jardim tenta reproduzir a criação original, na sua pureza original. É que, queiramos aceitá-lo ou não, convivemos mal com a natureza na sua versão original. É com as versões domesticadas que nos habituámos a viver. É nelas que aprendemos a viver. E no entanto… trazemos nos genes essa violência original que queremos negar. Talvez até seja daí, dessa nossa origem, que venha a ideia de “pecado original”. A que voltamos de vez em quando, obedecendo à nossa natureza.

A civilização é uma construção elaborada, em camadas, sobre essa violência original. Só assim se pode proteger o mais fraco, o desprotegido, o vulnerável. Ou sequer sentir compaixão: identificarmo-nos com a sua dor, reconhecermo-nos na sua vulnerabilidade.

Mas será que a corrida das tartarugas-bébé para o mar, essa terrível saga pela sobrevivência, não se repete ainda, todos os dias? De forma visível ou invisível, em campo aberto ou em campo encoberto?

 

 

Muitos dias depois... descobri num outro lugar...

 

 

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publicado às 12:19

Morangos silvestres

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 03.08.07

Bergman na sua ilha, como a personagem de Saraband. Bergman poético e cruel. A solidão irremediável, primeiro porque se procurou esse espaço existencial, respirável, entre nós e os outros, depois porque já não sabemos viver de outro modo.

Bergman reabre todas as feridas, sem dó nem piedade. As mais profundas, as mais insuportáveis. E de uma forma tão poética… de uma poesia límpida, fresca, áspera, dura. Como essa língua estranha. Mas a mais estranha, a que mais magoa, o silêncio. O silêncio mortal.

Há qualquer coisa de medieval nos seus filmes. Vêm de longe, de raízes muito profundas. Talvez das origens da nossa estranha natureza. Da nossa natureza animal, vegetal, mineral. Da nossa natureza que se confunde com a natureza.

Mas os morangos silvestres… os morangos silvestres...Envelhecer, lembrar, ver o essencial, aceitar a solidão, o afastamento emocional e afectivo. Doce, doce Sjöstrom. Será sempre o meu Bergman preferido. O terror do nosso fim, da inutilidade de toda uma existência. Olhar isso de frente. Aceitar tudo isso.

 

 

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publicado às 14:53


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